TRABALHO, CARREIRA E MUDANÇAS | O que podemos fazer por nós mesmos?

Crédito da imagem: Blog Whatelse

Não é novidade que somos responsáveis por nossas decisões. A maturidade e muitos tropeços me fizeram aprender isso na prática. Minha entrada na faixa dos 30 anos foi transformadora (clichê super verdade) e repensar minha profissão também. Mesmo com estabilidade, meus pés queriam dar passos mais largos em outra direção. Assim como Dorothy no clássico O mágico de Oz, a ideia de seguir a minha estrada de tijolos amarelos persistia.

Em uma tarde de sábado em casa, uma obra saltou aos meus olhos. Quando a abro aleatoriamente, leio no alto na página: “Quando completei trinta anos, embarquei em uma crise existencial”. De bagagem despachada, meu passaporte estava carimbado com destino a uma nova leitura.

Jorge Grimberg é jornalista e correspondente internacional do Bussiness of Fashion (Bof), Coolhunting, Vogue Runaway entre outras publicações. O autor de Vida Criativa tem um olhar inovador para a revolução digital de hoje e detalha sua trajetória de sucesso e de profissionais que encontrou em sua jornada de transformação. 
Créditos: Reprodução/ Amazon e Circulare

Vida Criativa, de Jorge Grimberg foi um empurrão e um tapa na cara. Vou explicar. O autor iniciou uma nova jornada profissional buscando uma vida com propósitos. Após deixar o mercado financeiro americano, Grimberg investiu em sua veia de escritor. Enveredando-se no jornalismo, atua em um dos maiores portais de negócios da moda. O Bussiness of Fashion (BOF) é referência de informação para quem atua no mercado e o autor de “Vida Criativa” é um dos correspondentes (inclusive do Brasil) no veículo. São várias coberturas de semanas de moda pelo mundo e muitas historias para contar.

Com um texto simples e direto, o livro nos leva a (re)pensar os caminhos que percorremos e nossas escolhas. Mais do que recolher depoimentos de grandes nomes do mercado de moda, estilo e design, as entrevistas de cada capítulo mostram pequenas lições de vida e trabalho que o autor encontrou em seu percurso.

Confesso que sempre desconfiei das histórias de nomes de sucesso. São narrativas com um tom épico de superação bem afetado. O texto de Grimberg, no entanto, mostra, de um jeito simples, o início e as transformações da carreira de Alexandre Herchovitch, estilista que investiu em moda vintage, Daniela Falcão, célebre jornalista CEO do grupo de comunicação Condé Nast que comanda grandes títulos no Brasil, e Oscar Metsavah, diretor criativo da marca Osklen, entre outros; pessoas que assumiram riscos, encararam dificuldades e conquistaram novos espaços.

O livro funciona como uma bússola. Antes de tudo, é preciso se conhecer muito bem para traçar uma rota – a nossa estrada de tijolos amarelos. Saber realmente o que queremos (ou não) é fundamental. O medo e o risco estão nessa tentativa. Sempre existirão, o que não quer dizer que devam nos paralisar.

Lendo a obra, reconhecemos um projeto de vida desinibido e inovador na forma de abordar oportunidades de trabalho e carreira. É certo que o período em que vivemos faz com que lidemos com o desconhecido a todo o momento. Tudo ainda é muito incerto, mas não justifica que cruzemos os braços à espera de oportunidades. Muitos dos casos narrados deram certo em tempos de crise. A pandemia mudou o mundo e nossa visão sobre ele.

Não posso negar que a identificação com o livro me levou a refletir sobre o que eu fazia com a minha vida. A escrita sempre foi forte para mim. Escrever e prazer são palavras quase sinônimas. Meu percurso na faculdade, pós-graduação e mestrado me mostraram a paixão pela escrita.

O fato de escrever esta coluna já diz muito sobre as decisões que tomei desde o ano passado. Recalcular a minha rota profissional foi difícil, mas necessário. A mudança de ares, o contato com jornalistas e profissionais de moda em cursos e eventos (alô, Andreia Meneguete!) abriu meus olhos para redirecionar meus passos. Como o autor, também encontrei pessoas incríveis na minha estrada de tijolos amarelos. E sou muito grato por isso.

Em tempos de influência digital, o encontro do self (aquilo que somos de verdade) parece mais difícil, quase impossível. Afinal, são tantas telas, caracteres e links que caminhos se multiplicam. Porém, o contato é necessário e transformador. É nos espelhos do ecossistema digital em que navegamos que encontramos nossa identidade, nossa forma de ser e estar no mundo.

Ivan Reis é graduado em Letras, especialista em Literatura e mestre em Linguística Aplicada. Atua como revisor e preparador de texto, mas gosta mesmo é de ler, escrever e tomar sorvete nas horas vagas. E-mail: ivan.reis@hotmail.com