CINEMA NA QUARENTENA | Três filmes para inspirar o guarda-roupa masculino

Crédito da imagem: Reprodução site Soul Art

O chapéu de Indiana Jones; os óculos de aviador de Pete Maverick em “Top Gun: ases indomáveis”; os aros arredondados de Harry Potter; a jaqueta de couro de John Travolta em “Grease: nos tempos da brilhantina”. São todos referências de peças e acessórios que o cinema trouxe à vida real.

Nesta fase de isolamento social, a ascensão dos serviços de streaming virou realidade. Filmes e séries são uma opção para dar um tempo no home office e nas tarefas do dia a dia em casa. Pensando nisso, selecionei três produções para inspirar o guarda-roupa masculino.

Cinema, moda e street style

Já pensou em como o cinema influencia a moda? No visual das telas, as roupas constroem personagens em estilos e modos de ser e estar na trama. Por isso, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, criou, em 1948, a categoria de melhor figurino para a premiação das melhores produções. Os figurinistas, claro, têm um papel essencial nesse processo. “São eles que nos ensinaram que cada peça de roupa conta uma história – ou até mesmo revela traços de uma personalidade”, declara Rafael Monteiro, repórter da revista GQ Brasil.

E no meio de tantas imagens, a moda tem lugar cativo no imaginário do público ao ganhar as ruas. Antes de nos preocuparmos com aglomerações, a fotografia de street style voltou suas lentes para as ruas. Fashionista ou não, a roupa do dia a dia pode se inspirar em muitas referências, inclusive no cinema.

Homenageando seus personagens e estilos, selecionei três filmes de muitos que podem influenciar o guarda-roupa masculino de hoje.

De volta para o futuro (1985)

Não é de duvidar que o estilo de Marty McFly, vivido por Michael J. Fox, represente o que mais se usou na década de 80: o jeans. As idas e voltas no tempo ao lado de Doctor Brown (Christopher Llyod) exigiam roupas confortáveis, utilitárias e fáceis de usar. É o que vemos nas lavagens claras acompanhando camisas com bolsos e coletes volumosos. Nos pés, o ar futurista dá início à cultura do sneaker em que o tênis casual tem cores marcantes, característico da época.

No street style de hoje, é difícil encontrar quem não adere a um bom jeans, camiseta, tênis (e uma jaqueta!). Este é um estilo fácil, simples e prático. Podemos concluir que o streetwear nunca mais foi o mesmo dos anos 80? Vida longa a Marty McFly!

Me chame pelo seu nome (2018)

As paisagens da costa italiana serviram de cenário para o romance entre Elio, morador local, e Oliver, um acadêmico que desembarca na região para trabalhar em sua pesquisa. Entre encontros e diálogos marcantes, o figurino do filme é solar e inspirado na alfaiataria italiana um tanto desconstruída por cores claras e bermudas de linho acima do joelho. Para enfrentar o sol escaldante do verão europeu, chapéu e óculos escuros são bons acessórios. Mesmo descontraído, reconhecemos a elegância do made in Italy que também ganha as ruas.

O Grande Gatsby (2013)

Certamente foi o filme mais comentado dos últimos tempos. Dezenas de revistas de moda do mundo dedicaram editoriais às roupas da Era do Jazz. Algumas marcas fizeram coleções especiais, como a joalheria Tiffany e a Prada que colaborou na elaboração de boa parte do figurino.

Baseado no livro homônimo de F. Scott Fitzgerald, o filme se passa em 1922 e é narrado por Nick Carraway (Tobey Maguire), que testemunha o conturbado romance entre Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio) e Daisy Buchanan (Carey Mulligan).

Entre festas e encontros memoráveis, as produções do longa ficam por conta da alfaiataria clássica, ou black tie, incluindo costume, chapéus e todos os acessórios charmosos que a ostentação da época permitia. No street style de hoje, o dandismo e a alfaiataria de cores inusitadas ganham cada vez mais espaço no guarda-roupa dos mais ousados.

Segundo o Portal FFW, o filme ganhou o Oscar de Melhor Figurino pelo trabalho de Catherine Martin, que mergulhou nos anos 20 para recriar a atmosfera de luxo ao lado de Miuccia Prada, diretora criativa de sua marca para a produção do figurino do longa.

 Mood board

É inegável que cinema e moda andam juntos nas referências e conceitos que seguem das telas para a rua. Tantas histórias são inspiradas em pessoas que vivem, amam e se vestem. Mais do que estilos, o figurino nas telas e a roupa na vida real são uma maneira de se comunicar com o mundo (e deixar o seu recado!). Um discurso que usa cores, tecidos, texturas, modelagens, acessórios e o mais importante: atitudes.

Afinal, de mocinhos de camiseta e jeans a vilões inescrupulosos de alfaiataria impecável, a roupa não veste apenas o corpo; ela veste também a alma.

Montar um guarda-roupa nunca é fácil. Em meio à diversidade de referências em que vivemos, o cinema é uma fatia da produção cultural que projeta e encena sonhos. Nesse processo, roupas constroem seres que se movem em imagens e que foram inspirados na batida do real. E a vida também imita a arte, numa via de mão dupla.

É sempre bom estar atento aos movimentos e tendências tanto do cinema quanto da moda. Referências não faltam para compor o próprio estilo.

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Ivan Reis é graduado em Letras, especialista em Literatura e mestre em Linguística Aplicada. Atua como revisor e preparador de texto, mas gosta mesmo é de ler, escrever e tomar sorvete nas horas vagas. E-mail: ivan.reis@hotmail.com