THAISA LIMA | “Escrever exige disciplina”

Autora dá dicas para trabalhar com escrita e plataformas digitais. Foto Divulgação.

Que a tecnologia está moldando os vários aspectos das nossas vidas não é novidade para ninguém.  É assim com as relações humanas, com o lazer, com o trabalho. E aqui nem vamos entrar no mérito causal; este que discute a influência de um agente sobre o outro: o homem domina os processos tecnológicos ou os processos ascendem sobre a humanidade?

O fato é que, graças à tecnologia, hoje em dia consegue-se fazer uma porção de coisas sem necessitar sair de casa. E, vamos confessar, em tempos de coronavírus e consequente quarentena, poder realizar o home working constitui um verdadeiro alívio para uma parcela da sociedade. Ademais, tem-se a impressão de que esta é uma tendência mundial: num futuro bem próximo, a maioria populacional trabalhará, de uma forma ou outra, com mídias sociais.

Pensando em tudo isso, e visando a possibilidade de reinvenção humana – tão necessária aos tempos atuais -, hoje o Articulei trouxe um ping-pong com Thaisa Lima. Autora de “Minha Resiliência” e digital influencer, Lima nos conta um pouco de sua rotina de escritora e dá dicas valiosas para quem quer atuar nas plataformas digitais.

A – Thaisa, muito obrigada por aceitar dar essa entrevista para o Articulei. Bem, eu sei que você já escreveu cerca de dez contos formatados em e-book, um romance, tem um blog e participa ativamente do Instagram. Tem mais alguma coisa que você faz na rede e eu não citei aqui?

Eu quem agradeço pelo convite. Aliás, quero dizer que sou leitora assídua do blog. Então, no momento eu estou desenvolvendo essas atividades que você citou, estou investindo certo tempo em cursos sobre escrita e escrevendo meu próximo romance, mas também tenho um canal no youtube, que está parado.

A – Acho que podemos dizer que você empreende mesmo é em formato digital, correto? Que tipo de resultado toda essa movimentação já te trouxe?

Agora estou em período de “formação de público”. Tenho trabalhado nas redes, oferecendo conteúdo gratuito (além dos meus e-books), entretenimento, dentre outras coisas, para formar o meu público leitor. Fico bastante feliz com cada conquista; com cada leitor que começa a me acompanhar.

A – Como é sua rotina diária?

Pela manhã, eu estudo escrita criativa (estou fazendo alguns cursos online) por uma hora. Depois, retiro um tempo para preparar as postagens do dia no Instagram. À tarde, separo de duas a três horas para trabalhar no livro (o que inclui pesquisas, a escrita em si, criação de roteiro, personagens, etc), e, se eu estiver muito empolgada, não tenho hora para terminar. À noite, faço divulgação nas redes sociais (Facebook principalmente) e costumo ler ou assistir alguma coisa para me distrair ou inspirar.

A – Que tipo de disciplina você acha que as pessoas que querem trabalhar nas plataformas têm que ter?

É um trabalho diário. No meu caso, eu posto todos os dias, no mesmo horário (que é o de maior acesso do meu público). É preciso ter consciência que se o seu público está acostumado com postagens diárias e você deixa de fazê-lo um dia, a interação diminui drasticamente; então é preciso focar e manter o ritmo.

A – Agora falando especificamente sobre o processo da escrita. Conheço muita gente que, assim como eu, tem um desejo grande de começar a escrever sua própria obra, mas na hora de colocar a mão na massa se deixa levar pela procrastinação. O que fazer para não perder o timing?

É preciso ter disciplina! Se a pessoa quer escrever apenas por hobby, ela não precisa se preocupar muito, mas se tem o intuito de ser um escritor e publicar livros, é preciso trabalhar diariamente, desenvolver uma rotina, escrever todos os dias. Quem está começando e não consegue escrever diariamente, pode iniciar com metas pequenas; por exemplo: sentar e só sair do lugar após escrever 200 palavras. Esse número é relativamente baixo e todos conseguem chegar a ele. Quando passar a ser fácil, o autor já pode aumentar a quantidade de vocábulos; tudo acontece gradativamente. O mestre Stephen King aconselha escrevermos 2 mil palavras por dia, então o objetivo de quem está começando é chegar nesse número.

A – Thaisa, outro dia, entrevistei um dos co-fundadores de uma plataforma de autopublicação de livros físicos e ele disse que não acreditava no formato e-book. Enquanto autora, você concorda com ele, quando diz que os autores só buscam plataformas de disposição digital pela limitação das editoras tradicionais?

Então, apesar de gostar muito de ter o livro físico em mãos, a princípio não concordo com ele. Eu acredito em e-books, sim. Não só porque temos um mercado crescente de pessoas que leem os livros digitais, mas também porque temos um mercado esquecido por muitos: o dos deficientes visuais, que têm acesso aos livros por meio das plataformas digitais. Concordo com ele, no entanto, na questão da limitação editorial; porém, mesmo tendo meu romance publicado também em livro físico, não deixo de disponibilizar a sua versão digital. Tenho muitos leitores que leem a obra na plataforma da Amazon, gostam do livro e depois compram o físico para ter na estante. Acredito que e-books e livros físicos tenham, cada um cumprindo sua função, o seu espaço no mercado.

A – Quando fala em acesso para deficientes visuais, está se referindo ao audiobook?

Também, mas hoje em dia já existe app responsável por fazer a leitura dos próprios e-books em áudio, desde que estes sejam convertidos para o formato em que o aplicativo lê, tipo MP3. Sei disso porque estou pesquisando sobre deficiências para o meu livro “Aconteceu no Verão”.

A – Você publica principalmente na Amazon, certo? Como funciona essa plataforma para o autor?

Sim, eu publico no KDP, a plataforma de autopublicação da Amazon. É bem simples e intuitiva. É importante ter o arquivo do livro bem diagramado (uso o Kindle Create para isso), revisado, com uma capa bem feita e todas as informações corretas. É só criar uma conta, seguir o passo a passo para publicar e pronto.

A – E o seu processo de divulgação, como funciona?

É aí que mora todo o trabalho (risos). É preciso ter consciência que só colocar o livro na plataforma não significará vendas, principalmente se o autor for iniciante. Existem milhares de livros na Amazon e se não houver divulgação por parte do autor, sua obra se perde e não haverá vendas nem leituras. Então, o autor se frustra e acha que o livro não presta. É necessário fazer uma campanha de marketing e é aí que entra a importância das redes sociais. Divulgar o livro, ler trechos dele, trazer conteúdo interessante para o seu leitor, conversar com o leitor, promover leituras coletivas, entrar em contato com blogueiros para haver resenhas publicadas. Usar a ferramenta de livro grátis no KDP também ajuda. É um trabalho diário e requer um tempo investido. Se o autor tem dinheiro, pode pagar uma agência para fazer esse trabalho por ele, mas, ainda assim, é importante estar presente nas redes sociais. Agora, o mais importante de tudo é acreditar no seu livro! 

A – Você quer deixar um recado ou acrescentar algo que julgue interessante para os nossos leitores?

Eu só quero agradecer a oportunidade e incentivar vocês para que continuem o belo trabalho desenvolvido aqui no blog. E para aqueles que pretendem iniciar no meio literário como escritores, tenho alguns conselhos: leia muito, profissionalize-se (faça cursos, tem muito conteúdo bom online, inclusive gratuito), estude sempre, esteja aberto a ouvir e aprender. Não vou mentir e dizer que é fácil ser escritor, pois não é. É trabalhoso, às vezes frustrante, mas é maravilhoso quando um leitor vem conversar com a gente sobre o nosso livro. Portanto, não desista do seu sonho.

Adna Maria é pernambucana, bibliófila e aspirante a escritora. Tem formação em Jornalismo e Geografia.