DE REVISTAS A BLOGS | Minha Relação com a Moda Masculina

Crédito: Imagem de Pexels por Pixabay

A moda surgiu em minha vida junto com o interesse em estudar um dos aspectos do comportamento humano. Parece pretensão da minha parte ou uma disposição teórica demais para ser verdade? Pense por este lado: é preciso fazer escolhas para satisfazer a necessidade de se proteger, aquecer, viver,… certo? E escolhas têm muito a ver com a nossa subjetividade, com aquilo que escolhemos por e para nós mesmos. E o que adotamos reflete nossa essência, o que somos de verdade.

“Então, vou ali na banca, tá?”

As bancas de jornal sempre foram muito atrativas para mim. Próxima à avenida principal do meu bairro, aliás, havia uma bastante concorrida. Todos apareciam lá para comprar aquele jornal de domingo ou colocar o crédito do celular.

Os anos 90 foram a glória para esse mercado. Era revista para criança, adolescente, mães de primeira viagem, mães mais maduras, amantes do cinema, dos livros, da televisão, para quem gostava de fofocas e por aí vai. Nessa época, o papel exercia grande fascínio nos leitores.

Eu vivia conferindo os lançamentos (desculpa, é muita nostalgia!). Sempre acordava cedo nos finais de semana, saía e voltava para casa com alguma coisa que me chamava atenção. O cinema reinava com glória na minha cama naqueles fins de semana. Devorava as notas, matérias e sempre arranjava um lugar para colocar os pôsteres que ganhava.

E aí analógico virou digital…

Quando a internet chegou, a comunicação mudou muito. O digital, a passos generosos, foi sendo incorporado ao cotidiano. Surgiram portais de notícias, salas de bate-papo, músicas online… e as redes sociais, que revolucionaram o modo como nos relacionamos uns com os outros. Foi tudo muito rápido.

Tanta rapidez gerou um novo tipo de conteúdo. Já passamos do tempo de esperar para ler o que está no papel; agora tudo acontece muito rápido, de forma a gerar, cotidianamente, novas maneiras de aproximar o leitor da informação.

Já deve ter imaginado o choque que foi o fechamento de mais de dez títulos da Editora Abril, né? Imagine que o maior parque editorial da América Latina agora funciona em outro edifício, mais modesto e com centenas de jornalistas e profissionais do mercado na rua. Mudanças geram mudanças…

… E por falar em jornalistas…

Comecei a me questionar sobre o que seria do jornalismo (de moda, especificamente) com a avalanche de informações à disposição a qualquer momento no smartphone. Possuir um celular conectado, hoje em dia, é suficiente para reportar informação de qualquer lugar do mundo. É a interatividade sem fronteiras para o leitor, que agora também colabora com a produção da notícia.

Pergunto-me inclusive sobre a exclusividade das fashion weeks nos dias atuais. É claro que apenas convidados e imprensa oficial têm acesso aos desfiles, porém tudo não acaba sendo transmitido pelas plataformas de conteúdo? As publicações não estão (obrigatoriamente, por meio do marketing digital) em todas as redes sociais, engajando cada vez mais seguidores e conseguindo manter suas audiências graças à exclusividade de conteúdo em cada uma de suas mídias digitais?

As revistas não são mais títulos de papel, são multiplataformas alcançando diversos leitores. Os blogs de moda já se proliferaram pela internet como potentes ferramentas de comunicação e espelham a diversidade de opiniões, gostos e vivências; uma moda cada vez mais plural e aberta para novos mercados, transformações e diferenças. Influenciadores não faltam por aí…

Close no closet

Vamos combinar que passamos a era do must have, da última tendência, dos hits da estação e da peça curinga, não é mesmo? É bem mais produtivo pensar em um jeito de vestir que reflita aquilo que queremos ser. Se eu quero ir de bermuda em ocasião mais formal e o dresscode da festa permitir, por que não? É uma questão de ponto de vista e de saber se você realmente segura aquele estilo.

Foi assim que cheguei aos dias de hoje…

Com um desejo imenso de escrever sobre moda e comportamento mais do que qualquer coisa. Contribuindo – quem sabe? – para a distribuição de mais conteúdo de qualidade que represente as necessidades e os desejos do homem contemporâneo; esta personalidade que gosta de estar bem em qualquer ocasião, expandindo seu mindset e incluindo cada vez mais o estilo em seu vocabulário.

Ivan Reis é graduado em Letras, especialista em Literatura e mestre em Linguística Aplicada. Atua como revisor e preparador de texto, mas gosta mesmo é de ler, escrever e tomar sorvete nas horas vagas.